Araújo defende adoção de políticas para descarte de resíduos

A busca de soluções para o destino final dos resíduos tem se constituído em um desafio, tanto para o setor público quanto para o privado. Neste contexto, a logística reversa, que obriga o fabricante ou vendedor a recolher o produto descartado pelo consumidor, e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada em dezembro de 2010 pela Lei Federal 12.305, dominaram os debates do 3º Fórum Internacional de Resíduos Sólidos, que está sendo realizado no Centro de Eventos da Fiergs.

Para Dalva Santana, mestre em Logística da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), o consumidor brasileiro precisa se reeducar. “O problema do lixo está relacionado com o consumo exagerado, ou seja, aquela pessoa que compra demais e logo quer descartar o produto”, comenta. Segundo ela, um exemplo desse “big brother” do consumo são os telefones celulares. “Uma pessoa descarta um aparelho quatro vezes ao ano. O motivo da troca do equipamento muitas vezes está ligado a uma nova tecnologia apresentada pelas empresas”, destaca.

De acordo com Dalva, já se percebe nas empresas uma mudança cultural, como a preferência por garrafas de vidro, deixando de lado as PETs, pela sacola de pano em vez da de plástico ou pela utilização de canecas de cerâmica em vez de copos descartáveis. “São algumas atitudes do dia a dia que ajudam o meio ambiente”. Segundo ela, o consumismo exagerado é que atrapalha o gerenciamento dos resíduos sólidos. Para Dalva, a mudança cultural deveria começar no Ensino Fundamental com a colocação da disciplina de Educação Ambiental no currículo das escolas. “Hoje temos ações isoladas no País. O Ministério da Educação (MEC) deveria tornar a discussão do tema obrigatório nas escolas”, acrescenta.

Por outro lado, o diretor da Logam do Brasil, Gelson Araújo, observa que as pessoas não podem ser privadas do consumo. No entanto, ele alerta para a necessidade da realização de campanhas que mostrem ao cidadão que é possível consumir com responsabilidade e descartar corretamente. “A falta de políticas ambientais para o gerenciamento e destinação de produtos para descarte passou a ser vista como antipática pelos consumidores”, comenta. Segundo ele, antes mesmo da regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei Federal 12.305, os consumidores passaram a rejeitar empresas ou fornecedores que não levavam em conta os efeitos negativos que seus produtos ou serviços podiam acarretar ao meio ambiente.

No encerramento do evento, será apresentado o documentário Lixo Extraordinário, do artista plástico Vik Muniz. O trabalho mostra um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio. Muniz acompanha um grupo de catadores de materiais recicláveis.

Fonte: Jornal do Comércio – http://jcrs.uol.com.br

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